A nossa história começou antes mesmo de a gente perceber que ela já estava acontecendo.
Entre corredores da OAB, livros de Direito e visitas despretensiosas ao trabalho da mãe, a vida foi aproximando dois caminhos sem pressa. Ele já a tinha visto de longe algumas vezes. Ela ainda nem imaginava que aquele advogado que emprestou um livro para ajudar no começo da faculdade se tornaria o amor da sua vida.
O livro foi só o começo de uma conversa que a gente ainda nem sabia que ia durar para sempre.
Quando fomos apresentados oficialmente, teve timidez, um certo constrangimento e sorrisos meio contidos. Mas, por trás daquele encontro simples, já existia uma curiosidade mútua. Vieram as mensagens, os encontros “por acaso”, as idas cada vez mais frequentes ao trabalho da mãe — algumas nem tão necessárias assim. E, no meio de olhares demorados e conversas que nunca pareciam terminar, nasceu o convite para o primeiro encontro.
A rotina tratou de nos aproximar ainda mais. O estágio na Defensoria, os almoços, os cafés compartilhados, as esperas no fim do dia. Tentamos esconder no começo, como quem quer proteger algo que ainda está nascendo. Mas o sentimento foi crescendo, ocupando espaço, ficando impossível de disfarçar. Entre gestos simples e presenças constantes, fomos nos tornando parte da vida um do outro. Um bolinho surpresa de aniversário feito juntos. A sensação de estar em casa, mesmo fora de casa. As esperas no fim do dia. A vontade de se ver de novo no dia seguinte.
Mas o amor da nossa vida não foi feito só de fases fáceis. Houve um tempo em que tentamos seguir separados. Foram dois anos oficialmente distantes — mas nunca realmente longe. Não conseguíamos passar muito tempo sem nos procurar, sem saber um do outro, sem continuar fazendo parte da vida que insistia em nos manter conectados.
Doía não estar juntos.
E doía tentar ficar longe.
Entre idas e vindas, aprendemos que amor também é escolha, é maturidade, é coragem de olhar para o que sentimos e assumir a verdade. E a nossa verdade sempre foi a mesma: o nosso futuro só fazia sentido lado a lado.
Até que, um dia, paramos de fugir.
Conversamos com a calma de quem já tinha vivido o suficiente para reconhecer o valor do que tinha nas mãos. Nunca tínhamos deixado de nos amar. E não queríamos mais um amor pela metade. Decidimos voltar — não para repetir o passado, mas para construir o futuro. Juntos. Com propósito. Com a certeza de que queríamos formar a nossa família.
O nosso amor é forte e parceiro. É aquele que traz segurança, mas também liberdade. Que protege, incentiva, aconselha e escuta. Um amor que resistiu ao tempo, à distância, às dúvidas — e escolheu ficar.